SIMPATIA “ROUBA” VOTOS DO ELEITORADO À COMPETÊNCIA POLÍTICA

Simpatia dos cidadãos pelos líderes partidários fala mais alto do que a competência ou a ideologia no momento de votar, conclui estudo da Universidade do Minho e do Instituto Universitário Europeu.

Na hora de votar, os cidadãos privilegiam a ligação afetiva aos líderes partidários em detrimento da sua competência, tendência que se verifica independentemente da ideologia e das caraterísticas sociodemográficas do eleitorado.

A conclusão da investigação, que teve por objetivo analisar de que forma a avaliação do perfil dos líderes políticos influência o comportamento de voto, foi divulgada esta quinta-feira pela Universidade do Minho (UMinho) e teve como base de dados estudos pós-eleitorais em Portugal, Espanha, Itália, na Irlanda, Alemanha, Hungria e no Reino Unido.

Em comunicado divulgado esta quinta-feira, Patrício Costa, investigador e coordenador do trabalho, sustenta que a erosão das clivagens ideológicas tradicionais, juntamente com os níveis crescentes de descontentamento e desalinhamento político, levou a uma individualização do voto.

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“Assiste-se a uma mediatização progressiva da arena política e os líderes tornaram-se o rosto humano dos partidos”, explica o professor da UMinho. O estudo, feito em colaboração com Frederico Ferreira da Silva, do Instituto Universitário Europeu, em Florença, sustenta que os eleitores desalinhados estão mais suscetíveis a fatores de curto prazo, tais como “a influência dos representantes políticos e consideração das suas caraterísticas, o que conduz à personalização da política”.

O estudo agrupou os líderes em duas dimensões, uma relacionada com a competência, analisando variáveis como assertividade, a autoridade, conhecimentos de economia e política, e outra mais ligada à afetividade. Nesta segunda faceta, foram tidas em conta valências como o carisma e a credibilidade. Os dados submetidos a análises estatísticas tiveram ainda em equação as variáveis sociodemográficas e a ideologia política dos eleitores.

Para Patrício Costa, a Grécia, que teve eleições legislativas antecipadas neste domingo, é outro dos países que segue a tendência afetiva. “A volatilidade eleitoral observada nos últimos anos na Grécia ilustra a relevância dos aspetos de curto prazo na tomada de decisão de voto, agora menos ancorado em classes ou identificações partidárias”, refere.

Fonte: Expresso